toda vez que escrevo eu tenho que acessar algo em mim que me é difícil, como se evocar um espirito e, acredite, sinto uma dor fina como se estivesse no caminho entre sólido e gasoso.
hoje eu não sai pra votar, mas já soube que a dilma é presidente. não consegui sair de casa.
ás vezes eu preciso ficar em silêncio, luisa. e tenho que convocar um exercito pra enfrentar algo que não conheço, em silêncio. e de fato, ás vezes, me transformo em merda, acho que é da intrinseca do lance carne e osso.
minha vontade é dizer que eu amo seus olhos, eu amo você. e também, como tal cara de pau, vou dizer nesse mesmo paragrafo que eu também tenho um medo que me faz entrar em outras questões que não imaginava e que só me faz gozar do que você causa em mim tudo assim sem muita pontuação pra respirar.
eu sinto que me corre um paradoxo nas veias, há uma, que contempla e tenta falar pausadamente e outra, que vive muito ensandecida e gosta de vomitar mal dizendo toda moral e bom costume.
essa carta era pra dizer que também me tranformo em merda e pedir um tipo de perdão que eu não sei como colocar. queria que você me aceitasse assim, escrevendo paragrafos desconexos e tendo tanta vontade de você.